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Bernardo e Margarida

Os dois príncipes do meu palácio. Fui mãe muito tarde. Andamos sempre à espera que seja a altura ideal, mas nunca é. Mas felizmente Deus deu-me um príncipe e uma princesa.

Bernardo e Margarida

Os dois príncipes do meu palácio. Fui mãe muito tarde. Andamos sempre à espera que seja a altura ideal, mas nunca é. Mas felizmente Deus deu-me um príncipe e uma princesa.

O início de tudo... fenda labio-palatina

O inicio:

Como tudo começou... 

Tudo... a necessidade de criar um blog...

No dia 28 de Agosto de 2018, o mundo desabou... senti o chão a fugir como nunca tinha sentido. Estava apavorada. 

Tinha acabado de fazer a ecografia do segundo trimestre de gravidez, o Bernardo foi conosco, a médica disse entre dentes para que o menino não ouvisse (mas ouviu), "tem de falar com a sua médica para a orientar porque a bebé tem lábio leporino... tem o lábio aberto, etá a ver aqui?" e mostrou no ecrã onde todas aquelas manchas a preto e branco me custavam a perceber o que estava a ver em concreto. Nunca tinha ouvido essa palavra, lábio leporino, que raio é isso? Lógico, assim que entramos no carro estacionado a poucos metros, internet conosco.... Assustador as primeiras imagens que vimos.

Telefonei à médica, que não atendeu (o som da chamada era estranho). Mandei mensagem a dizer o resultado, e ela devolveu passado alguns minutos o telefonema. Ela estava de férias, mas após ler a minha mensagem já tinha telefonado para Coimbra a marcar uma amniocentese de urgência (parece que são procedimentos nestes casos, para despiste de mais algums coisa). Ao telefone disse-me "você não é obrigada a fazer, ninguém pode obrigar a fazer este exame pelo risco que ele tem para o bebé, mas acho que deveria faze-lo, e se assim o entender, já está marcado para amanhã de manhã". Claro que eu iria faze-lo, se é recomendado porque não? Acredito na Mãe Natureza, ela sabe o que faz.

No dia seguinte lá estávamos nós. Inicialmente fizemos nova ecografia minunciosa. O médico verificou tudo o que era possivel verificar. Disse que não via mais nada detectável, mas isso não queria dizer que não houvesse, pois qualquer bebé pode nascer com problemas que são impossiveis detectar nestes exames... e de seguida foi a amniocentese. 

Estes minutos a olhar atentamente para os ercãs e a ouvir o que os médicos falavam entre eles, foram enormes... o medo apoderou-se de mim naquele momento. Medo de ouvir mais alguma coisa menos boa. Medo de não saber o que fazer. Medo de não saber o que me esperava. Medo, medo, medo... como não me lembro de ter sentido antes. O resultado da eco... além de lábio leporino que nunca tinha ouvido falar, vem a novidade pior ainda que era fenda labiopalatina... ui... que é isso? Além do lábio aberto, também o céu da boca (palato) estava aberto. 

Vocabulário novo nas nossas vidas. Não fazia ideia o que era palato, muito menos que existia palato mole e palato duro...pois é.

As semanas seguintes de espera dos resultados pareceram meses... a ansiedade e o desconhecimento era aterrorizador.

Pesquisei dia a noite sobre este assunto... Li muitos documentários de médicos... Li muitas conversas de mães (nos foruns)... Li e reli montes de coisas, e quanto mais lia mais assustada ficava.

Na minha cabeça estava decidido, queria abortar. Mandei email para o hospital onde estava a ser acompanhada a solicitar isso mesmo, se teria direito ou não, pois já estava nas 23 semanas e por lei o máximo são 24 e os resultados chegariam depois disso. Marcaram logo consulta de esclarecimento.... mas não fiquei nada esclarecida. "ah e tal.... no fim vai ficar tudo bem... pode ter problemas de audição, pode ter problemas de fala, de dentição...mas depois fica bem..." Pois... sim... porque não são vocês, porque não é vosso filho, era o que me vinha à cabeça constantemente.

Veio o tão aguardado resultado com a resposta "negativo", ou seja, não era malformação cromossomática, pois caso fosse teriamos a opção de aborto. Era apenas uma malformação congénita. Uma média disse... "todos nós podemos ter um acidente e ficar assim, ter uma fissura no maxilar..." e como tal, direito a abortar estava fora de questão, pois não era uma deficiência.

Só nos restava adaptarmo-nos à ideia, aceitá-la e aprender a viver com ela.

Passaram uns meses sem que contássemos a ninguém (da familia), porque no local de trabalho tive de contar, notava-se na minha cara que algo estava errado. Mas todo o apoio foi oferecido sem grandes questões e com respeito pela situação. "Se precisares ir para casa... se precisares de alguma coisa, não precisas estar a fazer sacrifícios em estar aqui a trabalhar, vai..." disse o boss... que me supreendeu pela positiva.

Foram meses de grande tristeza. Mas eu queria tanto este bebé, e principalmente sendo uma menina tão desejada pela família, porque raio tinha de acontecer isto? Era impossivel não questionar... e sabendo que só havia duas razões para acontecer... ou genético (não conhecemos ninguém da familia com este problema) ou alguma coisa aconteceu durante aquelas semanas de gravidez (e era aí que me pesava a consciência e o sentimento de culpa...)

Como estava em gravidez de risco porque já tinha contrações desde as 26 semanas, teriamos de contar à familia a partir da semana 32, que era quando o risco terminava e poderia nascer a qualquer momento. Foi o tempo necessário para irmos ouvir 3 opiniões em diferentes hospitais. Foi o tempo necessário para aceitar e compreender o que estava a acontecer e o que aí vinha.

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